Cabeça erguida e dedicação

09/02/2018
“No esporte, como no ENEM, é preciso se entregar, saber errar e acertar, aceitar o que vem, insistir e ter autoconfiança”.

A palavra é resiliência, a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar às derivas, às voltas que a vida dá. Adriel é resiliente e tranquilo, tanto quanto é determinado, decidido do que quer. O 2º lugar em Engenharia Civil na Universidade Federal do Ceará (o quarto curso melhor avaliado no Brasil) chega para ele com a alegria e a convicção de quem fez um bom alicerce, uma boa construção, para usar os termos da engenharia, até chegar onde sonhou.

A escolha, aliás, tem a ver com inovação. Ele pensa em se voltar para o campo da inovação tecnológica, unindo outras ciências, como as energias renováveis, às escolhas sustentáveis, que pensem no futuro do planeta. Talvez uma segunda qualidade que o define é a maturidade. Ele não esperou chegar ao 3º ano do Ensino Médio para imprimir uma rotina de estudos mais rigorosa. Ao iniciar o Ensino Médio, entendeu que precisava inverter um pouco as prioridades para alcançar os resultados que vieram agora. Sabe bem que ingressar na universidade é tomar conta da sua própria formação, correr atrás do conhecimento.

“No 3º ano, você é um sobrevivente. Mas, se tiver uma prática de organização, de administrar o tempo, dá certo. Não pode é se desesperar, ficar 24 horas estudando ou desistir logo. É cabeça erguida e dedicação. Fiz muito simulado e fui percebendo a minha evolução. Isso me deixou muito confiante”. Ele se refere ao tamanho do desafio de conquistar uma vaga tão concorrida nas universidades públicas. Para tanto, desenvolveu seu próprio método. Estabelecia uma agenda diária de estudos e buscava cumpri-la mesmo que passasse das 23h. O esforço era compensado com os treinos de futsal, que ele não abandonou, e com as viagens a Sobral para ver a namorada.

Adriel é aluno do Colégio Santa Cecília desde o 6º ano e percebe que a Escola dá uma base diferente. “Aqui ninguém é tratado como robô, há uma preocupação com o modo como nos sentimos para abrir esse 'nó' que se forma no peito da gente”.

O tempo de Escola é o mesmo dedicado ao futsal. Vem daí a capacidade de ser resiliente. O time dele reuniu muitas vitórias ao longo destes anos, chegaram a disputar um campeonato estadual cearense, ganharam e perderam muitas vezes. Da Escola, lembra-se das viagens e da SICE, especialmente, esse novo mundo que se abre todo ano. “No esporte, como no ENEM, é preciso se entregar, saber errar e acertar, aceitar o que vem, insistir e ter autoconfiança”.