Ir. Rosineide Campos: trajetória, fé e os novos caminhos do Colégio Santa Cecília Eusébio

Entrevista com Ir. Rosineide, Diretora do Colégio Santa Cecília Eusébio

Uma história de resiliência a serviço da educação
09/01/2026

Ela é do Recife e também da Zona da Mata pernambucana e, desde muito menina, viu a vida se revirar, aprendendo a driblar agruras com a suavidade e a força dos que nascem resilientes e cheios de determinação. O Colégio Santa Cecília Eusébio tem agora uma nova Diretora, Ir. Rosineide Campos Rodrigues. Ela é religiosa das Religiosas da Instrução Cristã, pedagoga, acumula especializações em gestão e já dirigiu três escolas da Rede Damas Educacional, duas em Pernambuco e outra no Paraná. Experiência não lhe falta, nem disposição. Os primeiros dias no Ceará e as primeiras iniciativas como Diretora passam pela observação atenta, a escuta e a busca por conhecer o que, para ela, é um novo e instigante desafio. Sabedoria própria dos bons gestores. Em entrevista, Ir. Rosineide nos conta sobre sua trajetória e expectativas. 

CSC – Vamos começar falando de suas origens? De onde a senhora veio e como chegou às Religiosas da Instrução Cristã?

Ir. Rosineide – A minha história é muito bonita porque tenho duas famílias. Nasci no Recife, sou a caçula de uma família de oito filhos e, aos quatro anos, perdi minha mãe biológica. Fui então adotada por uma família de Nazaré da Mata, que já tinha 16 filhos. Nesse momento, começou a minha história com as Religiosas da Instrução Cristã, porque eu cheguei à família que me acolheu através de Ir. Ivonete, a quem chamo de tia, ao ser recebida por sua família biológica, na casa onde cresci. Aos 10 anos, perdi minha mãe adotiva, meu pai casou novamente e passei a conviver com outra pessoa maravilhosa, muito católica, que cuidou de toda a minha formação cristã e educação da fé, e devo muito a ela, por isso considero que tive três mães. Meu pai administrava um engenho e o alpendre da nossa casa se tornou praticamente uma capela, com missas toda primeira sexta-feira do mês. Eu comecei a minha educação formal com minhas irmãs adotivas, que já eram professoras, e cursei o Ensino Médio no Colégio Santa Cristina, da nossa Congregação, em Nazaré da Mata. No entanto, antes de seguir a vida religiosa, eu já tinha convicção de que queria ser professora, isto sempre foi muito claro para mim, me tornar professora e me voltar para crianças carentes. O interesse pela vida religiosa veio ao perceber que o nosso carisma era educação, o que foi gerando uma identificação e uma compreensão do que Deus realmente quer da minha vida. Ao ingressar no curso de Pedagogia, fiquei um ano trabalhando no Colégio Santa Cristina e, aos 19 anos, entrei na vida religiosa.

CSC – Então, o ingresso na vida religiosa e sua formação como educadora correram em paralelo. Como foi a sua trajetória como educadora?

IR – Comecei como professora de Ensino Religioso e depois passei a assumir a coordenação de Pastorais, além do trabalho de ação social que tínhamos com crianças carentes. Em 2012, assumi pela primeira vez a função de Direção, uma experiência muito desafiadora e de muito crescimento em todos os sentidos. Desde então, tenho como alicerce o nosso carisma da “Consagração a Deus e o sacrifício pela juventude” e a nossa missão de “encarnar a face atual do Cristo educador”. Então, a minha atuação enquanto religiosa em uma missão de gestão é ter muito presente a face de Jesus e, claro, sob as bênçãos de Nossa Senhora e Madre Agathe, essa mulher inspiradora que fundou a congregação sob guerras, com coragem, renúncia e muita ousadia. Uma inspiração para todas nós.

CSC – Da sala de aula para as coordenações e, depois, para os cargos de direção. Como a senhora percebe o trabalho de uma gestora escolar?

IR – Gestão escolar é um espaço de crescimento e muito aprendizado. Nós aprendemos com os alunos, com os professores, com as famílias, com todos os colaboradores, porque dentro de uma escola somos todos educadores. O gestor escolar deve saber aonde quer chegar em um mundo em transformação, diferenciando o que deve ser papel da escola e da família, agindo em colaboração e auxiliando na definição dos limites. Em escolas confessionais como as nossas, a parte relacional e a formação espiritual são fundamento. Para que eu possa administrar, entendo que é imprescindível ter comigo profissionais especializados e com competências aprofundadas em áreas específicas (administrativa, financeira, pedagógica, jurídica), que bebem do nosso carisma, do qual eu tenho a responsabilidade de ser transmissora. Ou seja, uma gestão bem-sucedida se faz no coletivo e em movimento circular. E o que significa esse movimento circular? A escuta, o diálogo e a comunhão.  A comunhão é, digamos, a última palavra, mas, para chegar aí, eu passei pela escuta e pelo diálogo. Então, eu não fiz o caminho sozinha, tenho uma equipe que me assessora e dá suporte. Além disso, eu amo estudar, gosto muito de ler, fiz especialização em gestão em espaço escolar e não escolar, quando tive a oportunidade de acompanhar a gestão de outras instituições, como hospitais.

CSC – Chegamos ao Ceará. Como a senhora recebeu o convite e como têm sido esses primeiros dias?

IR – Eu recebi o convite, primeiramente, com surpresa, mas com o entendimento de que esta é minha missão agora. Então, vamos abraçá-la com alegria, sabendo que Deus me dará os meios possíveis e necessários para estar neste novo desafio. Madre Agathe foi muito sábia quando disse que “toda missão vem com as graças necessárias”. Cheguei e estou inteira, buscando entender, conhecer, e tenho sido muito acolhida. A primeira grande diretriz para mim é conhecer o Colégio Santa Cecília Eusébio, pois, apesar de esse lindo caçula ter apenas dois anos, traz consigo 115 de existência do Colégio Santa Cecília no Ceará e mais de 200 anos de nossa Instituição no Brasil. O que está em expansão é a nossa referência em educação e o nosso carisma, com valores cristãos, éticos, acadêmicos, com a competência própria que já existe em Fortaleza. Sinto-me feliz com esta nova caminhada baseada no carisma, que é a consagração a Deus em sacrifício pela juventude em toda parte onde quer que cooperemos para a propagação da glória de Deus e, eu diria, essa glória é o homem vivo, mais humano, mais justo, ambientalmente responsável e generoso.  

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