
A vida acontece nos espaços da cidade
Quem chegou, no começo do semestre, reparou: a Escola se ambientou de imagens da nossa cidade para receber o novo ano letivo. É que a vida é feita de muitas dimensões: da família, da escola, dos amigos e do coletivo, uma vida em comum com quem nós sequer conhecemos, mas com as quais dividimos a nossa cidade.
Explorar o espaço público é também uma preocupação da Escola. Se nós não conhecemos nem respeitamos a nossa cidade, com toda a sua singularidade e suas diferenças, é difícil zelar e querer bem a ela. E assim, já se vão mais de dez anos do Projeto Conhecendo Fortaleza, que atravessa todo o ano letivo do 3º ano do Ensino Fundamental pensando o nosso lugar de origem.
Thiago Gomes, professor do 3º ano, explica que são muitos os recursos para dar conta de dizer Fortaleza: canções, livros didáticos e paradidáticos que vão desde a origem a um roteiro pelos pontos históricos nunca antes vistos por boa parte dos alunos. O Cordel “Fortaleza, terra querida”, de autoria da professora da Oficina de Linguagens Sandra Ribeiro, inspirou o texto teatral que os alunos apresentarão na culminância do projeto.
É no Centro que o comboio de alunos segue percebendo o frenesi popular, um percurso que, aliás, geralmente começa pelo “Marco Zero”, segue pelo Centro Histórico e transita pelos espaços do Centro Dragão do Mar. “Se eu pudesse definir o projeto, diria que é o reconhecimento e o respeito ao patrimônio material e imaterial da nossa cidade. A criança se reconhecer como um agente histórico, estabelecendo relação entre passado e presente e sentindo-se responsável pela construção do lugar onde vive”, observa Thiago.
Viver a cidade. Pensando com o escritor, historiador e Doutor em Educação Fabiano dos Santos, que abriu o Encontro Pedagógico da Escola: “Se a experiência é o que nos passa, o que nos atravessa, o que nos acontece, o que nos toca, a experiência da educação só pode ser uma experiência de formação, ou, se preferirmos, uma viagem aberta de transformação. Trata-se de entrarmos e sairmos outros a partir dos encontros com o outro, com o mundo e consigo mesmo. Somos uma espécie de Alice no país das maravilhas ou de Teseu no seu encontro com o Minotauro no Labirinto de Creta”.
Fonte: Revista Interatividade


